Vamos publicar uma série de curtas entrevistas, que nos dão a conhecer as marcas que nos acompanham, o que as move, onde as encontramos, o porque de se juntarem a nós neste Ser solidário!
É. Demorou.
Somos poucas.
Somos muito ocupadas.
Temos os nossos trabalhos.
Temos as nossas famílias.
Mas ajudar os outros que nos rodeiam, também faz parte de nós. Aquece-nos o coração. Tatua-nos um sorriso no rosto até mesmo quando estamos estafadas ao fim de um evento.
E o que move cada Mercado são as pessoas, e desta vez, é o Diogo e a sua história:
"Eu chamo-me Diogo Soares, tenho 15 anos e frequento o 10.ºano, na EBS do Cerco (grande escola!).
No verão de 2011, tinha eu 13 anos, jogava futebol ( e era um craque…),
comecei a sentir muitas dores no joelho direito. Fiz vários exames,
fisioterapia e até choques elétricos: nada resultou! Quando, no dia 1 de
agosto, fui a uma consulta, no Hospital São João, descobriram que eu
tinha um TUMOR MALIGNO de 9 cm na tíbia
direita. Nesse mesmo mês, fiz diversos exames e, a 15 de agosto, iniciei
o primeiro de muitos ciclos de quimioterapia. Meses de hospital,
aniversário no hospital, natal no hospital. Eu, Diogo Soares, tinha um
cancro e sabia que ia vencer. Tinha o Sarcoma de Ewing. A 26 de
janeiro de 2012, fui operado para tirar o tumor, o que implicou retirar
11 cm da tíbia e colocarem-me um fixador externo (ferros na perna até
que o osso cresça). Tudo correu “bem”, porque o tumor estava
totalmente necrosado, isto é, já não tinha tumor! Parecia que o pior já
tinha passado. Foi um alívio para todos. Entretanto, iniciei mais 8 ciclos de quimioterapia, que só terminaram em julho de 2012.
Com alguma dificuldade, mas muito apoio da minha escola, a EBS do
CERCO, dos professores e colegas de turma, consegui concluir o 9.º ano.
Em setembro, comecei a fazer fisioterapia para poder voltar à escola e
voltar a andar sem ajuda de canadianas. O que aconteceu em outubro. Foi
espetacular. Em novembro comecei a sentir dores horríveis, mas aguentei.
Pensei que era normal. Até fui a uma visita de estudo! Que saudades
tinha de fazer coisas “normais”, de participar nas atividades da
escola. A minha vontade de viver era e é enorme. Pensava que as dores
eram resultado do esforço extra de caminhar, afinal tinha estado mais de
um ano parado. Porém, as dores eram cada vez mais insuportáveis e, no
dia 29 de novembro, deixei de sentir a pernas, não conseguia andar. No
hospital, fiz uma ressonância e verificaram que uma das vértebras da
coluna estava fraturada. Fui submetido a uma cirurgia de urgência, para
colocar uma fixador na coluna ( parafusos). Dias depois, no dia 8 de dezembro, fiz 15 anos e estava outra vez no hospital.
No dia 9, tive a má notícia, a pior, tinha uma metástase na vértebra
D10. Voltou tudo. O tumor voltou. Voltei aos corredores. Aos cheiros,
aos exames, aos tubos, ao medo. Foi mais um natal no hospital. Fiz mais
seis ciclos de quimioterapia e, em meados de abril, tive de parar os
tratamentos, para recolher células para o AUTOTRANSPLANTE. Porém, em
três dias, só só foi possível recolher metade, pois encontrava-me muito
fragilizado. Sem tratamento, o Tumor evoluiu de forma galopante, as
dores voltaram, fui novamente internado e estou, de novo, a fazer
QUIMIOTERAPIA. Tenho medo que a quimioterapia não chegue. Sei que
na Alemanha há um tratamento que já ajudou a salvar muita gente.
Acredito que é lá que está a minha cura. EU QUERO VIVER!"